MALAGUETA DO DESERTO

Textos

Crônicas, memórias e histórias do sertão cearense.

O ELEITOR QUE NUNCA PERDEU UMA ELEIÇÃO

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O ELEITOR QUE NUNCA PERDEU UMA ELEIÇÃO Havia em Aracati um cidadão chamado Geraldo que se orgulhava de possuir uma qualidade raríssima entre os eleitores: — Nunca perdi uma eleição! O segredo era simples: antes da eleiçã...

A DOR QUE NINGUÉM VIU

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A DOR QUE NINGUÉM VIU Ainda me recordo do tempo em que beirava os oito anos. Morava, então, na esquina da Travessa Francisca Clotilde com a Rua Santos Dumont, em Aracati. Quando não estava jogando bola de meia, sentava-m...

ROSALINA, A MULHER QUE OLHAVA PARA O CHÃO

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Ocorre-me ao espírito, entre tantas recordações vividas em Aracati, a figura de uma mulher chamada Rosalina. Eu não sabia onde morava, de que família descendia, nem sequer conhecia seu nome completo. Para mim, era apenas...

A IGUALDADE DEBAIXO DA TERRA

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A IGUALDADE DEBAIXO DA TERRA Experimente, qualquer dia, fazer uma visita sem compromisso a um cemitério. Não espere o Dia de Finados. Não leve flores, velas nem a obrigação dolorosa de visitar um parente. Vá apenas como ...

O HOMEM QUE COMIA CIGARROS

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O HOMEM QUE COMIA CIGARROS Dizem os estudiosos que o tabaco nasceu em algum lugar das Américas há milhares de anos, talvez entre os povos dos Andes bolivianos. Desde então, a humanidade inventou inúmeras maneiras de se r...

O ESTUDO DE MERCADO QUE ESQUECEU O PIRÃO DE CARANGUEJO

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O ESTUDO DE MERCADO QUE ESQUECEU O PIRÃO DE CARANGUEJO Houve um tempo em que Aracati parecia ter firmado um acordo secreto com a vida. As crianças cresciam saudáveis, os adultos envelheciam sem pressa e os velhos insisti...

A FORÇA DA CIRCULAÇÃO DO DINHEIRO

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A FORÇA DA CIRCULAÇÃO DO DINHEIRO Na manhã de quarta-feira, 25 de outubro de 1933, quando Aracati comemorava sua emancipação política, desembarcou do vapor Bragança o caixeiro-viajante Zélnio Calado, da Metalúrgica Saruê...

A ESMOLA DA TAMPINHA

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A ESMOLA DA TAMPINHA As feiras livres do Nordeste nunca venderam apenas frutas, farinha ou rapadura. Ali também circulam histórias, desafios, versos improvisados e um humor que sobrevive muito mais da inteligência do que...

O QUEIJO, O MACHADO E OS CUPINS

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O QUEIJO, O MACHADO E OS CUPINS Zé de Luzia nunca foi homem de muito estudo. Mal terminou o ensino primário no Grupo Escolar Barão de Aracati. Preferia trabalhar, e trabalho nunca lhe meteu medo. Comprava peixes frescos,...

A PIOR RUÍNA É A HUMANA

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A PIOR RUÍNA É A HUMANA Há alguns meses encontrei um velho conhecido. Não revelarei seu nome por respeito à família e porque a história poderia ser a de muitos outros. Durante décadas, foi uma figura muito admirada de Ar...

ARIANO SUASSUNA E DIMAS BATISTA: Dois gênios, duas formas de fazer poesia.

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ARIANO SUASSUNA E DIMAS BATISTA: Dois gênios, duas formas de fazer poesia. Há quem passe semanas procurando a palavra exata para um poema. Há quem reescreva um verso dezenas de vezes. E há aqueles que, diante de uma viol...

O HOMEM QUE ENTROU NA MINHA CASA POR ENGANO

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Costumo dizer que a vida possui um roteirista muito mais criativo do que qualquer escritor. De vez em quando, ele resolve brincar conosco e produz situações tão absurdas que nem mesmo um cronista teria coragem de inventa...

O HOMEM QUE SAIU DAS PÁGINAS

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Não sei dizer como cheguei àquela casa. Ela se parecia muito com a residência onde meu avô Manuel vivera seus últimos anos. As janelas, o alpendre, a disposição dos cômodos — tudo me era familiar. O que não reconhecia er...