HEREGE
SE NÃO BASTASSE ATACAR NOSSA SENHORA APARECIDA, AGORA QUEREM DERRUBAR A ESTÁTUA DE PADRE CÍCERO. MEU DEUS! NÃO VOTEM NELE!
Crônicas, memórias e histórias do sertão cearense.
SE NÃO BASTASSE ATACAR NOSSA SENHORA APARECIDA, AGORA QUEREM DERRUBAR A ESTÁTUA DE PADRE CÍCERO. MEU DEUS! NÃO VOTEM NELE!
O MENINO QUE TINHA VERGONHA DE LEVAR RAPADURA PARA A ESCOLA Guardo, com muita saudade, lembranças vivas do período em que estudei no Ginásio Marista de Aracati. Recordo alguns amigos e professores que deixaram marcas ind...
DONA EULÁLIA E A NOTÍCIA SOBRE NOSSA SENHORA APARECIDA Dona Eulália já passou dos setenta. Na parede da sala, guarda uma imagem de Nossa Senhora Aparecida; ao lado, fotografias dos filhos. Ontem à noite, chegou ao seu ce...
OS MORTOS QUE TROCARAM DE LUGAR No dia 24 de junho de 1923, um enorme pássaro de metal surgiu no céu de Aracati. O povo correu às janelas, subiu nos muros e procurou os lugares mais altos. Alguns pensaram que fosse o fim...
ANTES DO VOTO, A REFLEXÃO Estive pensando numa curiosidade da vida política brasileira. Onde estão os nossos intelectuais? Nas universidades, nas academias, nos centros de pesquisa, na literatura, no jornalismo, nas arte...
ONDE ANDARÃO OS GRITOS DA MINHA INFÂNCIA? “Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.” Essa afirmação, atribuída a Lavoisier e repetida há séculos, levou-me a uma pergunta que talvez a ciência não poss...
TIÃO VENTINHA, O ENGRAXATE CRONISTA Nos anos sessenta, a Praça do Mercado Público de Aracati era uma verdadeira fábrica de profissões. Ali se reuniam homens que, em busca do sustento de cada dia, vendiam frutas, carregav...
QUE FIM LEVOU O CABO ZÉ INÁCIO? Entre as muitas histórias deixadas pela grande enchente de 1960, uma permaneceu sem resposta na memória dos aracatienses: — Que fim levou o cabo Zé Inácio? Seu desaparecimento ocorreu dura...
A CADEIRA VAZIA NA CALÇADA Durante muitos anos, ao cair da tarde, dois amigos colocavam suas cadeiras na calçada da Rua Santos Dumont, em Aracati. Chamavam-se Armando e Nonato. Segundo Ananias Bernardo, tinham praticamen...
TENHAM ISTO EM MENTE Não publico imoralidades nas redes sociais — nem em qualquer outro espaço. Também não faço delas trincheira para atacar quem pensa diferente de mim. Respeito todas as pessoas, embora me reserve o dir...
A CRIANÇA QUE EU FUI VEIO VISITAR O VELHO QUE ME TORNEI Naquela tarde, encontrei um menino sentado na calçada da Rua Santos Dumont, na mesma casa onde eu vivi minha felicidade plena. Vestia bermuda e trazia nos joelhos a...
O VESTIDO DE UMA VIDA QUE NÃO FOI VIVIDA Não sei quando ouvi essa história pela primeira vez. Suspeito que tenha saído da boca de um viajante que pernoitou na casa de meu avô materno, quando eu contava uns dez anos de id...
O SINO QUE TOCOU PARA UM HOMEM SEM FAMÍLIA Os aracatienses mais antigos certamente hão de se lembrar de Moisés. Não daquele que, segundo as Escrituras, foi salvo das águas do Nilo, mas de outro, igualmente entregue ao de...
A MULHER QUE COMPRAVA UM PÃO A MAIS Na Rua Santos Dumont, em Aracati, morou um homem chamado Zé Bento, amigo de meu pai. Sua casa ficava por trás da antiga Cadeia Pública, onde hoje funciona a Câmara Municipal. Esse imóv...
O HOMEM QUE TEVE MEDO DE NÃO MAIS TER MEDO (História verdadeira ocorrida em Aracati na década de 1950) O Cumbe é uma das localidades mais aprazíveis do município de Aracati. Entre dunas alvas, manguezais, coqueiros incli...
MINHAS LEMBRANÇAS FUTURAS (ENTRE O QUE AINDA NÃO VIVO E O QUE JÁ ME HABITA) Há expressões que nascem de um tropeço da alma. “Minhas lembranças futuras” é uma delas: mistura o que ainda não vivi com aquilo que já me visit...
O ELEITOR QUE NUNCA PERDEU UMA ELEIÇÃO Havia em Aracati um cidadão chamado Geraldo que se orgulhava de possuir uma qualidade raríssima entre os eleitores: — Nunca perdi uma eleição! O segredo era simples: antes da eleiçã...
A DOR QUE NINGUÉM VIU Ainda me recordo do tempo em que beirava os oito anos. Morava, então, na esquina da Travessa Francisca Clotilde com a Rua Santos Dumont, em Aracati. Quando não estava jogando bola de meia, sentava-m...
Ocorre-me ao espírito, entre tantas recordações vividas em Aracati, a figura de uma mulher chamada Rosalina. Eu não sabia onde morava, de que família descendia, nem sequer conhecia seu nome completo. Para mim, era apenas...
A IGUALDADE DEBAIXO DA TERRA Experimente, qualquer dia, fazer uma visita sem compromisso a um cemitério. Não espere o Dia de Finados. Não leve flores, velas nem a obrigação dolorosa de visitar um parente. Vá apenas como ...
O HOMEM QUE COMIA CIGARROS Dizem os estudiosos que o tabaco nasceu em algum lugar das Américas há milhares de anos, talvez entre os povos dos Andes bolivianos. Desde então, a humanidade inventou inúmeras maneiras de se r...
O ESTUDO DE MERCADO QUE ESQUECEU O PIRÃO DE CARANGUEJO Houve um tempo em que Aracati parecia ter firmado um acordo secreto com a vida. As crianças cresciam saudáveis, os adultos envelheciam sem pressa e os velhos insisti...
A FORÇA DA CIRCULAÇÃO DO DINHEIRO Na manhã de quarta-feira, 25 de outubro de 1933, quando Aracati comemorava sua emancipação política, desembarcou do vapor Bragança o caixeiro-viajante Zélnio Calado, da Metalúrgica Saruê...
A ESMOLA DA TAMPINHA As feiras livres do Nordeste nunca venderam apenas frutas, farinha ou rapadura. Ali também circulam histórias, desafios, versos improvisados e um humor que sobrevive muito mais da inteligência do que...
O QUEIJO, O MACHADO E OS CUPINS Zé de Luzia nunca foi homem de muito estudo. Mal terminou o ensino primário no Grupo Escolar Barão de Aracati. Preferia trabalhar, e trabalho nunca lhe meteu medo. Comprava peixes frescos,...
A PIOR RUÍNA É A HUMANA Há alguns meses encontrei um velho conhecido. Não revelarei seu nome por respeito à família e porque a história poderia ser a de muitos outros. Durante décadas, foi uma figura muito admirada de Ar...
ARIANO SUASSUNA E DIMAS BATISTA: Dois gênios, duas formas de fazer poesia. Há quem passe semanas procurando a palavra exata para um poema. Há quem reescreva um verso dezenas de vezes. E há aqueles que, diante de uma viol...
Costumo dizer que a vida possui um roteirista muito mais criativo do que qualquer escritor. De vez em quando, ele resolve brincar conosco e produz situações tão absurdas que nem mesmo um cronista teria coragem de inventa...
Não sei dizer como cheguei àquela casa. Ela se parecia muito com a residência onde meu avô Manuel vivera seus últimos anos. As janelas, o alpendre, a disposição dos cômodos — tudo me era familiar. O que não reconhecia er...